Apesar do avanço tecnológico acelerado, o Brasil ainda enfrenta um desafio estrutural: 28 milhões de brasileiros não utilizam a internet. Os dados são da edição mais recente da pesquisa TIC Domicílios, que acende um alerta sobre a exclusão digital em um país onde serviços essenciais, como o Gov.br e o Meu SUS Digital, são majoritariamente oferecidos via web.
A pesquisa define como “não usuário” quem não acessou a rede nos últimos três meses.
O perfil desse grupo é claro: a maioria vive em áreas urbanas nas regiões Sudeste e Nordeste, pertence às classes D e E, é do sexo masculino e se identifica como preta ou parda.
No entanto, o fator idade é o mais gritante: mais da metade dos desconectados têm 60 anos ou mais, muitos alegando falta de interesse ou de conhecimento técnico.
Estar conectado não significa, necessariamente, ter um bom acesso. O conceito de conectividade significativa avalia se a experiência do usuário é estável e de qualidade.
Enquanto as classes A e B navegam via fibra ótica em telas grandes, a população mais pobre, mulheres e negros dependem quase exclusivamente do celular com planos pré-pagos limitados.
“As classes mais altas acessam pelo computador com rede estável. Já as classes populares ficam restritas a telas pequenas e franquias de dados que acabam rápido”, explica Stephanie Lima, coordenadora do InternetLab. Essa limitação dificulta o uso de serviços públicos complexos e ferramentas de produtividade, aprofundando a desigualdade.
Especialistas apontam que a solução passa por três frentes:
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Infraestrutura e Preço: Planos mais acessíveis, combatendo a assimetria onde o giga de internet custa mais caro para quem tem menos recursos.
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Acesso a Dispositivos: Políticas para baratear computadores e tablets, além da criação de telecentros e bibliotecas digitais em espaços públicos.
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Letramento Digital: Ensinar habilidades básicas para que o cidadão saiba gerenciar sua privacidade, usar IA de forma ética e acessar serviços governamentais com segurança.
Para Fabio Storino, coordenador da pesquisa, o foco não deve ser atingir 100% da população (devido ao desinteresse de parte dos idosos), mas garantir que todos que queiram se conectar tenham condições dignas para isso.


