O mercado global de mobilidade elétrica tem um novo líder definitivo. Em dados divulgados nesta sexta-feira (2 de janeiro de 2026), a montadora chinesa BYD confirmou que ultrapassou a Tesla em vendas anuais, assumindo o posto de maior fabricante de veículos elétricos (EVs) do mundo.
Enquanto a empresa de Elon Musk enfrentou um ano de retração, a gigante chinesa registrou um crescimento robusto de quase 28%.
De acordo com os relatórios das companhias, a Tesla entregou 1,64 milhão de veículos em 2025, uma queda de 9% em relação aos 1,78 milhão registrados em 2024.
No caminho inverso, a BYD atingiu a marca histórica de 2,26 milhões de veículos elétricos vendidos no mesmo período. A inversão de posições reflete não apenas a força da indústria chinesa, mas também desafios macroeconômicos enfrentados pela Tesla nos Estados Unidos.
Um dos principais fatores para a desaceleração da Tesla foi o encerramento dos créditos fiscais de US$ 7.500 pelo governo estadunidense em setembro de 2025.
Sem o incentivo tributário, o interesse dos consumidores norte-americanos por EVs despencou cerca de 40% em novembro, afetando diretamente os números do quarto trimestre da Tesla, que entregou 418 mil unidades, abaixo das 440 mil projetadas por analistas.
Apesar da liderança global perdida, a Tesla ainda detém 45% do mercado doméstico nos EUA.
Para tentar reverter o cenário, Musk lançou versões mais baratas do Model Y (abaixo de US$ 40 mil) e do Model 3 (menos de US$ 37 mil) em outubro, visando competir agressivamente com os modelos chineses nos mercados da Europa e Ásia em 2026.
Surpreendentemente, os investidores da Tesla reagiram com cautela, mas sem pânico. As ações encerraram 2025 com alta de 11%, indicando que o mercado está precificando a Tesla menos como uma montadora tradicional e mais como uma empresa de tecnologia.
O foco de Musk mudou: o bilionário tem afirmado que o futuro da companhia reside na Inteligência Artificial, no desenvolvimento de robôs humanoides e no serviço de robotáxis sem motorista.
Enquanto isso, a BYD expande sua presença internacional de forma acelerada, com forte penetração na América Latina, Europa e Sudeste Asiático.
A vitória da montadora chinesa em 2025 marca o início de uma nova era na indústria automotiva, onde a competitividade de custo e a escala de produção da China se tornaram o padrão a ser batido.


