O Brasil deu início à construção do primeiro laboratório de biossegurança de nível 4 (NB4) da América Latina, o mais alto padrão internacional para pesquisa com agentes biológicos de extrema periculosidade.
A nova unidade, batizada de Orion, está sendo erguida no campus do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), com previsão de conclusão das obras civis em 2027.
A estrutura representa um marco para a ciência nacional ao ampliar a capacidade do país de estudar vírus altamente patogênicos, desenvolver medicamentos, vacinas e atuar de forma mais ágil diante de doenças emergentes e futuras pandemias.
O que é um laboratório NB4 e por que ele é estratégico?
Laboratórios NB4 são projetados para lidar com os patógenos mais perigosos conhecidos, que apresentam alto risco de infecção, potencial letal elevado e possibilidade de transmissão por aerossóis, como alguns vírus hemorrágicos.
Para garantir segurança máxima aos pesquisadores e ao meio ambiente, o Orion contará com protocolos extremamente rigorosos, incluindo:
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Trajes pressurizados especiais, com suprimento independente de ar;
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Sistemas avançados de filtragem e tratamento do ar;
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Descontaminação total de resíduos, com esterilização química de efluentes líquidos;
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Procedimentos controlados de entrada e saída da área de contenção.
Um centro de treinamento já está em funcionamento, permitindo a simulação de todos os processos operacionais do laboratório sem risco biológico real.
Infraestrutura científica para resposta rápida a crises sanitárias
O Orion será administrado pelo CNPEM e deve reunir uma capacidade científica inédita na região, ampliando o papel do Brasil no cenário global de segurança sanitária e pesquisa biomédica.
De acordo com o diretor-geral do CNPEM, Antonio José Roque da Silva, a experiência recente com a pandemia de COVID-19 evidenciou a importância de estruturas preparadas para responder rapidamente a novas ameaças.
“Ou você tem infraestrutura e capacidade pronta para proteger a sociedade, ou você não tem tempo, porque a pandemia avança muito rápido”.
Demanda global e preparação para novos cenários
Especialistas destacam que o novo laboratório permitirá antecipar epidemias, pandemias e até situações de bioterrorismo, colocando o país em um novo patamar científico.
Segundo Roque da Silva, existe uma demanda internacional crescente por instalações desse tipo, intensificada após a pandemia.
“Pós-pandemia, o mundo inteiro percebeu que precisa estar mais preparado e organizado para novas pandemias — e é consenso que algo assim voltará a acontecer. Quando, ninguém sabe, mas vai acontecer”.
Com a construção do Orion, o Brasil passa a integrar um grupo restrito de países que dispõem de infraestrutura de biossegurança máxima, reforçando sua capacidade de pesquisa, inovação e cooperação científica internacional.


