Com a chegada do verão e o aumento da radiação solar, especialistas aproveiram o Dezembro Laranja e reforçam o alerta para o câncer de pele, o tipo mais frequente da doença no Brasil.
Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), a condição responde por cerca de 30% de todos os tumores malignos diagnosticados no país.
A projeção do INCA indica que a incidência da doença deve alcançar aproximadamente 704 mil novos casos neste ano, somando carcinomas e melanomas.
Diante desse cenário, médicos destacam que a observação regular da pele e a prevenção contínua são fatores decisivos para o diagnóstico precoce e o aumento das chances de cura.
De acordo com profissionais do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), em São Paulo, qualquer ferida que não cicatriza em até quatro semanas deve ser avaliada por um especialista.
O alerta também vale para manchas, pintas ou lesões que apresentem mudanças de cor, tamanho, forma ou textura ao longo do tempo.
Tipos de câncer de pele exigem atenção aos detalhes
Existem três principais tipos de câncer de pele, cada um com características específicas.
O carcinoma basocelular, o mais comum, costuma se manifestar como uma ferida que não cicatriza ou uma lesão perolada.
Já o carcinoma espinocelular pode surgir como uma casquinha que sangra, uma área áspera ou uma verruga que cresce rapidamente.
O melanoma, embora menos frequente, é o mais agressivo e geralmente aparece como uma pinta nova ou uma lesão que muda de tamanho, forma ou cor.
Segundo a dermatologista Bethânia Cavalli, responsável pelo Ambulatório de Oncologia Cutânea do HSPE, “muitas vezes, o melanoma começa como uma mancha discreta, que foge ao padrão das demais pintas e acaba sendo ignorada”.
Regra ABCDE ajuda no autoexame
Uma das ferramentas mais utilizadas para identificar sinais suspeitos é a regra ABCDE, que orienta o autoexame da pele a partir de cinco critérios:
A de assimetria, B de bordas irregulares, C de variação de cor, D de diâmetro maior que 6 milímetros e E de evolução da lesão.
“Ao notar qualquer alteração nesses aspectos, é fundamental procurar um dermatologista”, orienta a especialista.
Prevenção diária reduz riscos
A exposição solar acumulada ao longo da vida é um dos principais fatores de risco para o câncer de pele. Por isso, a prevenção deve ser diária, mesmo fora de períodos de lazer.
Entre as recomendações estão o uso diário de protetor solar, inclusive em dias nublados; evitar exposição direta ao sol entre 10h e 16h; reaplicar o produto a cada duas horas; além do uso de chapéus, roupas com proteção UV e óculos de sol.
Regiões como orelhas, pescoço, nuca, couro cabeludo e pés também merecem atenção.
Pessoas com pele clara, histórico familiar ou exposição solar intensa devem redobrar os cuidados e realizar consultas dermatológicas periódicas.
Tecnologia no diagnóstico precoce
No HSPE, pacientes considerados de alto risco passam por avaliações com dermatoscopia digital, tecnologia que permite analisar a estrutura da pele com maior precisão. “O exame aumenta a segurança e a rapidez no diagnóstico”, destaca Bethânia Cavalli.
A orientação dos especialistas é clara: observar a própria pele, manter hábitos de proteção solar e buscar atendimento médico ao menor sinal de alteração são atitudes simples que podem salvar vidas.


