Estagiária alega que criou Spotify Wrapped e nunca recebeu os créditos

A designer Jewel Ham afirma ter criado o conceito de Wrapped em formato de Stories, mas nunca recebeu reconhecimento público do Spotify

O Spotify Wrapped virou um ritual anual: milhões de pessoas esperam dezembro para destravar sua retrospectiva musical e postar cada card colorido no Instagram ou no X.

A versão atual, otimizada para Stories e com linguagem de redes sociais, estreou em 2019 e rapidamente transformou o Wrapped em um fenômeno pop. Nos bastidores, uma disputa de autoria ganhou força nesta semana.

A designer Jewel Ham, que trabalhou como estagiária de verão na empresa, afirmou que foi ela quem propôs transformar o Wrapped em uma experiência visual interativa dentro do aplicativo.

Antes, os dados eram exibidos em um microsite e enviados por e-mail, longe da viralização que conhecemos hoje. O foco da proposta de Ham era tornar o Wrapped “algo comunitário, compartilhável e naturalmente integrado às redes”.

Segundo ela, sua apresentação final de estágio (ainda em 2019) foi recebida com entusiasmo interno. Meses depois, o Spotify lançou a retrospectiva em formato de Stories.

A designer conta que permaneceu em silêncio por anos, mas decidiu falar após ver como a funcionalidade tomou conta da internet nos últimos anos.

O Spotify nega que o conceito tenha origem em sua contribuição. Em resposta, a empresa afirmou que o Wrapped existe desde 2013 e que centenas de funcionários colaboraram para sua evolução, acrescentando que a análise interna não identifica relação entre o estágio de Ham e o formato atual.

A versão da designer, porém, ecoou com força especialmente entre jovens criativos. Ela critica o sistema de estágios, que frequentemente oferece pouca remuneração e raríssimo reconhecimento, apesar de absorver ideias inovadoras de estudantes, muitas vezes mulheres negras, como ela.

Ham também aponta a assimetria de poder: o que é descrito como “aprendizado” ou “oportunidade” costuma, na prática, ser trabalho criativo de alto valor sem retorno adequado.

A discussão reacendeu um debate mais amplo: a cultura das big techs, suas políticas de propriedade intelectual e o uso de jovens talentos como força de criação invisível.

Ham afirma que não quer confrontar ex-colegas, mas sim provocar reflexão: “A criatividade move o mundo, especialmente a criatividade das mulheres negras. O mínimo é reconhecer isso.”

Hoje, a designer segue carreira artística, é curadora residente em Nova York e produz obras centradas no tema que define como essencial: reparações.

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