Príncipe William lança parceria para proteger povos indígenas e defensores da Amazônia

Durante cúpula no Rio, herdeiro do trono britânico anunciou aliança entre fundações internacionais e organizações indígenas brasileiras para combater violência e crimes ambientais na floresta

O Príncipe William, herdeiro do trono britânico, anunciou nesta terça-feira (3/11), no Rio de Janeiro, uma nova iniciativa global voltada à proteção de povos indígenas e defensores do meio ambiente na Amazônia brasileira.

O lançamento ocorreu durante a Cúpula Global Unidos pela Vida Selvagem (United for Wildlife), organizada pela The Royal Foundation, instituição criada por William em 2013.

O projeto estabelece parcerias estratégicas entre a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), o Fundo Podáali, a Rainforest Foundation Norway (RFN) e a Re:wild, com o objetivo de oferecer assistência jurídica, financiamento emergencial e ferramentas de monitoramento de ameaças.

“Não podemos gerir nossas florestas enquanto seus protetores viverem com medo. E não podemos proteger os defensores do meio ambiente sem garantir a segurança dos territórios que defendem”, declarou o príncipe, em discurso de abertura.

William destacou que a iniciativa simboliza o compromisso da fundação em atuar ao lado de quem conhece e vive a floresta, reforçando a importância de reconhecer o papel dos povos indígenas na preservação ambiental.

“Devemos proteger os protetores se quisermos garantir o futuro destes ambientes cruciais”, afirmou.

Em 2024, mais de 1,7 milhão de hectares da floresta amazônica foram desmatados, boa parte impulsionada por mineração ilegal, grilagem e extração de madeira.

Estudos mostram que o desmatamento em terras indígenas é até 83% menor do que em áreas não protegidas, evidenciando o impacto positivo das comunidades tradicionais na conservação.

Apesar disso, os riscos para quem atua na defesa da floresta têm crescido. Em 2023 e 2024, foram registrados 393 casos de violência contra defensores ambientais no Brasil.

Povos indígenas e afrodescendentes responderam por cerca de um terço das vítimas fatais ou desaparecidas.

A nova parceria pretende eliminar barreiras à segurança dos líderes indígenas, garantir resposta rápida em situações de emergência e fortalecer a rede de proteção internacional.

Segundo Toya Manchineri, coordenadora-executiva da COIAB, a colaboração marca um momento histórico: “Estamos felizes e honrados em celebrar esta parceria, que significa apoiar e proteger a vida daqueles que protegem.”

Para Tom Clements, diretor-executivo da United for Wildlife, o apoio às comunidades locais é essencial para o planeta.

“Proteger as terras e os recursos dos povos indígenas é uma das maneiras mais eficazes de combater as mudanças climáticas.”

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